quarta-feira, 29 de abril de 2009

Família é família, sangue é sangue. Será?


Woody Allen tem uma obsessão: provocar desconforto no seu espectador. Mesmo nas suas comédias mais rasgadas o cineasta faz questão de ressaltar a inviabilidade do ser humano. O sonho de Cassandra é um bom exemplo disso.

Numa típica família suburbana londrina, dois irmãos, de bom caráter, mas em situação difícil, pedem ajuda financeira ao tio rico da família. O tio, a princípio, se dispõe a ajudar, mas ele também pede um favor aos sobrinhos, afinal, família é família e todos precisam se ajudar.

O favor pedido pelo tio, porém, é muito maior do que qualquer coisa que os dois irmãos poderiam imaginar. Não pela dificuldade da tarefa, mas porque para o seu cumprimento eles terão que passar por cima de todos os seus limites éticos e, principalmente, de todos os seus medos.

Mas é somente com o pedido atendido que as coisas realmente se complicam. O irmão, digamos, mais intelectualmente limitado se arrepende do que fez e a partir daí cabe a todos os envolvidos na trama provar até que ponto sangue é sangue e negócio é negócio.

Colin Farrell interpreta o irmão arrependido. Sempre com um cigarro no canto da boca e a expressão recorrente de angústia ele é instabilidade em estado puro. O irmão inteligente e, por isso mesmo, frio e calculista é interpretado por Ewan Mcgregor, sem maneirismo e forma bastante intensa também.

Alie à boa interpretação dos atores principais uma música caótica e desesperadora e um roteiro que em momento algum perde o seu compasso rumo à tragédia e o resultado é um grande filme que passou praticamente despercebido pelo público.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Inimigo m(eu)


Guy Ritchie é um apaixonado pela violência do submundo. A ele não interessa o gângster de terno e gravata, o mafioso que se esconde atrás de óculos Ray-Ban e ternos Armani. Ritchie prefere voltar suas lentes para os criminosos comuns, aqueles que têm que sujar as mãos de sangue e, na maioria das vezes, acabar atrás das grades.

No filme Revolver, Jake Green é um desses bandidos do baixo clero que teve que amargar sete anos de prisão. Ao sair da cadeia, Jake está disposto a acertar as contas com o homem que o colocou lá, seu antigo chefe. Porém, uma série de reviravoltas, típica dos filmes do diretor inglês, o leva a um caminho jamais por ele imaginado. O filme se perde um pouco quando a ação característica das produções de Ritchie cede espaço para divagações filosóficas duras de engolir. As frases existenciais que aparecem vez por outra são bacanas, mas a cena do elevador na qual Jason Stathan encontra o seu verdadeiro eu é pra lá de xarope.

Ao misturar num mesmo roteiro filosofia oriental, reviravoltas rocambolescas, xadrez e um vilão que fica quase o tempo todo de cueca Guy Ritchie tentou fazer de Revolver um filme divertido e culto. Só conseguiu metade da empreitada.