Sei não, mas esse Sherlock Holmes ficou parecido demais com o Chaplin. Não ficou não?sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Brutalidade necessária
Pela estrada lamacenta e sem vida o andarilho segue solitário rumo ao nada. Caminhando a custo, é grande o peso que ele leva amarrado a uma corda. Deixando sua marca pela estrada, como se fosse uma espécie de assinatura, o volume é parte indissociável do homem que o carrega, impossível imaginar um sem o outro. O nome do homem é Django e o volume por ele puxado, um velho e pesado caixão de madeira.Assim tem início um dos mais célebres filmes sobre o velho oeste americano e uma das produções referenciais do que se convencionou chamar de western spaghetti. Dirigido por Sergio Corbucci em 1966, Django conta a história do personagem-título e do que ele carrega dentro do misterioso caixão.
Todos os arquétipos do gênero estão presentes no filme: a mocinha, que não é santa mas é boa gente, o fazendeiro arrogante e sem coração, o amigo bandido mexicano, um monte de capanga dispostos a morrer e um herói rápido do gatilho. Franco Nero, com sua fisionomia dura, empresta a Django a brutalidade necessária que um pistoleiro precisa para viver num mundo onde leis não passam de um pedaço de papel sem utilidade.
A sequência em que Django, sozinho e atrás de um tronco de árvore, mata quase uma centena de capangas do fazendeiro rico é antológica e também é o momento no qual se revela o que está escondido dentro do caixão.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Porcos, diamantes e diversão
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Brucutu engraçado

É possível desrespeitar toda e qualquer lei da física, em especial a da gravidade, criar situações absurdas e completamente ilógicas, unir a isso tudo interpretações que beiram a histeria num fiapo de história e, mesmo assim, fazer um filme muito, mas muito divertido? Adrenalina é a prova que é possível sim.
Chev Chelios, um assassino profissional em vias de abandonar a profissão, descobre que foi envenenado por uma substância que provoca a desaceleração gradativa do coração, até o ponto em que ele pare de bater. Para se manter vivo, o matador arrependido tem que encontrar maneiras de aumentar o nível de adrenalina em sua corrente sanguínea e é essa busca desesperada a grande diversão do filme.
Cocaína, brigas de rua, natação, choques cardíacos e transar em praça pública são algumas das alternativas que Chelios utiliza para manter-se vivo e com o coração batendo. A seqüência de sexo no meio da rua, com todos olhando, é de rir até dizer chega, uma prova do talento de Jason Statham que além de saber dar as pancadas tradicionais de todo brucutu truculento, também é capaz de fazer graça.
O matador, com a certeza de que vai morrer, parte para uma vingança sangrenta contra aqueles que lhe envenenaram e, no meio do caminho, ainda encontra tempo para se despedir e dizer que ama a namorada.
Adrenalina é puro cinema-fantasia sem qualquer compromisso com a verossimilhança ou coisas do tipo. Tudo é improvável ou mesmo impossível. Talvez por isso mesmo seja um filme tão legal.
Chev Chelios, um assassino profissional em vias de abandonar a profissão, descobre que foi envenenado por uma substância que provoca a desaceleração gradativa do coração, até o ponto em que ele pare de bater. Para se manter vivo, o matador arrependido tem que encontrar maneiras de aumentar o nível de adrenalina em sua corrente sanguínea e é essa busca desesperada a grande diversão do filme.
Cocaína, brigas de rua, natação, choques cardíacos e transar em praça pública são algumas das alternativas que Chelios utiliza para manter-se vivo e com o coração batendo. A seqüência de sexo no meio da rua, com todos olhando, é de rir até dizer chega, uma prova do talento de Jason Statham que além de saber dar as pancadas tradicionais de todo brucutu truculento, também é capaz de fazer graça.
O matador, com a certeza de que vai morrer, parte para uma vingança sangrenta contra aqueles que lhe envenenaram e, no meio do caminho, ainda encontra tempo para se despedir e dizer que ama a namorada.
Adrenalina é puro cinema-fantasia sem qualquer compromisso com a verossimilhança ou coisas do tipo. Tudo é improvável ou mesmo impossível. Talvez por isso mesmo seja um filme tão legal.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Sobre espaços e sentimentos vazios

Interiores, filme de Woody Allen lançado em 1978, retrata o fim de um casamento de muitos anos e as consequências naturalmente trágicas do término repentino de uma relação duradoura. O roteiro focaliza as atenções nas filhas do casal recém divorciado e de que forma cada uma delas lida com a situação. Diane Keaton, musa dos filmes de Allen, interpreta Renata, a irmã mais velha. Dividindo-se entre o sucesso como poetiza, o fracasso profissional do marido e a relação distante com a mãe, Renata sente-se deslocada em seu próprio mundo. Keaton se vale do drama e da confusão da personagem para deixar transparecer seu talento natural.
As outras irmãs, Flyn e Joey, interpretadas respectivamente por Kristin Griffith e Mary Beth Hurt, são tão ou mais confusas que Renata. Flyn, atriz de TV, sabe que não é levada a sério e Joey, a caçula, embora talentosa, não sabe o que fazer da vida. O trio central opta por fazer o silêncio sempre falar que as palavras – o que permeia o filme com um tom intimista. A ausência de trilha sonora e os cenários grandes e espaçosos refletem o desconforto e o desamparo dos personagens.
Os ambientes, porém, não são os únicos espaços vazios do filme. Os sentimentos também são. Apesar da boa vida, do dinheiro e da inteligência acima da média, o principal elo entre os personagens é a incapacidade de ser feliz. Incapacidade essa proveniente da forma como lidam com os sentimentos. Deixando-os escondidos sob uma capa artificial de intelectualidade ou empurrando-os para debaixo dos livros de filosofia que lotam as estantes, os personagens negligenciam seus sentimentos a todo instante. Allen usa uma metáfora visual clara para reforçar essa sensação: enquanto a mãe se preocupa com a decoração impecável dos cômodos, dos interiores de sua casa e da casa de suas filhas, o mundo a sua volta desaba. Sem saber como lidar com a vida real, se apega a ilusão de que a beleza estética de um vaso sofisticado pode ser um paliativo eficiente à falta de sentido da sua vida. Ilusão essa que o próprio filme faz questão de desfazer da maneira mais irremediável possível.
Utilizando todo o seu tradicional arsenal de neuroses com a religião, a felicidade, a fé, a finitude da vida e a certeza da morte, Woddy Allen compôs um filme que emociona por sua simplicidade e delicadeza. Algo incomum na produção cinematográfica recente.
As outras irmãs, Flyn e Joey, interpretadas respectivamente por Kristin Griffith e Mary Beth Hurt, são tão ou mais confusas que Renata. Flyn, atriz de TV, sabe que não é levada a sério e Joey, a caçula, embora talentosa, não sabe o que fazer da vida. O trio central opta por fazer o silêncio sempre falar que as palavras – o que permeia o filme com um tom intimista. A ausência de trilha sonora e os cenários grandes e espaçosos refletem o desconforto e o desamparo dos personagens.
Os ambientes, porém, não são os únicos espaços vazios do filme. Os sentimentos também são. Apesar da boa vida, do dinheiro e da inteligência acima da média, o principal elo entre os personagens é a incapacidade de ser feliz. Incapacidade essa proveniente da forma como lidam com os sentimentos. Deixando-os escondidos sob uma capa artificial de intelectualidade ou empurrando-os para debaixo dos livros de filosofia que lotam as estantes, os personagens negligenciam seus sentimentos a todo instante. Allen usa uma metáfora visual clara para reforçar essa sensação: enquanto a mãe se preocupa com a decoração impecável dos cômodos, dos interiores de sua casa e da casa de suas filhas, o mundo a sua volta desaba. Sem saber como lidar com a vida real, se apega a ilusão de que a beleza estética de um vaso sofisticado pode ser um paliativo eficiente à falta de sentido da sua vida. Ilusão essa que o próprio filme faz questão de desfazer da maneira mais irremediável possível.
Utilizando todo o seu tradicional arsenal de neuroses com a religião, a felicidade, a fé, a finitude da vida e a certeza da morte, Woddy Allen compôs um filme que emociona por sua simplicidade e delicadeza. Algo incomum na produção cinematográfica recente.
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