sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Uma escolha normal

Os normais 2 é um filme engraçado, mesmo que o desempenho da dupla Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães não esteja tão afinado quanto à época do seriado televisivo. Os diálogos articulados e rápidos, abordando aspectos sexuais na maioria do tempo, e o humor físico que varia da sutileza a escatologia total, duas características que marcaram o programa, estão lá em sua totalidade.

Na tentativa de apimentar um pouco a vida sexual do casal, Vani propõe a Rui um ménage-a-trois. A procura pela parceira ideal e as confusões em que eles se metem na busca de um prazer desconhecido rendem as melhores piadas do filme.

O problema da produção é sua absoluta falta de identidade. Enquanto o seriado original, exibido entre 2001 e 2003, tinha sua estrutura e seus esquetes inspirados na TV Pirata, programa anárquico que reformulou e injetou originalidade no humorismo brasileiro no final dos anos 80, os filmes, tanto o primeiro quanto essa continuação, não tem uma estética definida.

Para piorar, o diretor José Alvarenga Jr. não faz nenhuma questão em escapar da cartilha da “moderna comédia romântica”. Bebendo na mesma fonte de filmes como a trilogia adolescente American Pie, Alvarenga se rende ao final triste e redentor para provar que o amor vence tudo. Se o objetivo era apenas lotar as salas os cinemas, essa é foi uma escolha pra lá de normal.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Matadores


Da esquerda para a direita Wade Garrett e James Dalton, ou melhor, Sam Elliot e Patrick Swayse, numa cena de Matador de Aluguel. Um grande pequeno filme desses que as vezes surgem nas telas do cinema e uma justa recordação do eterno Ghost.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Explicações desnecessárias

A tentativa de explicar algo que ninguém tinha o menor interesse em saber tornou Highlander II – A ressurreição um dos filmes mais bizonhos e constrangedores dos últimos 20 anos. Ninguém estava interessado nas origens de Connor MacLeod ou o porquê dele ser imortal, o que queríamos era vê-lo cortando mais e mais cabeças.

O diretor Doug Liman, ao que parece, não assistiu a continuação da aventura do guerreiro imortal e, se assistiu, não aprendeu nada. Seu último filme, Jumper, peca exatamente pelo mesmo motivo: se propor a explicar algo que não interessa a ninguém.

Os jumpers são mutantes que tem o poder de se tele transportar. Ir instantaneamente de Paris a Tóquio ou do alto da esfinge para ao Big Ben faz parte da rotina deles.

Enquanto o filme se limita a mostrar as aventuras desses saltadores do espaço e do grupo que os caça, tudo vai bem. A ação quase ininterrupta é recheada de efeitos especiais bacanas. Quando as explicações sobre a origem da organização dos caçadores, chamados “paladinos”, começam é que a mistura desanda. Com referências a Idade Média e a dogmas religiosos as explicações não convencem e o roteiro deixa mais pontos soltos do que amarrados.

Com uma premissa bastante interessante e um diretor arrojado e inovador, Jumper podia ser muito melhor e mais divertido. Mas a inventividade do filme, assim como seu personagem título, parece desaparecer de uma hora para outra, sem deixar vestígios.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Em busca da terra perdida

Volta e meia surge nas telas de cinema um personagem chato, excêntrico e mal humorado que, mesmo com toda a rabugice que lhe é peculiar, consegue encantar a todos. O sarcástico escritor Melvin Udall, interpretado por Jack Nicholson em Melhor é impossível ou o irritante tenente-coronel Frank Slade, papel de Al Pacino em Perfume de mulher, são apenas dois exemplos desses personagens que as pessoas amam odiar.

No mundo dos pixels, o topo do ranking dos chatos de bom coração vai com todos os louros e glórias para Carl Fredricksen, personagem principal do filme Up – Altas Aventuras dos estúdios Pixar.

Aos 78 anos Fredricksen resolve realizar o sonho que alimentou durante toda a vida: viver uma grande aventura. Para isso ele amarra milhares de balões em sua casa e sai voando rumo a América do Sul para encontrar o mítico “Paraíso das Cachoeiras”. Na sua jornada o rabugento senhor vai ter que aprender a conviver com o atrapalhado garoto Russell, o divertido cachorro Dug e a simpática ave Kevin.

O relacionamento entre os membros desse improvável quarteto é o grande barato do filme e donde surgem também as já tradicionais lições de vida típicas das produções de animação recente. Em busca da terra perdida cada um dos aventureiros vai acabar encontrando a si mesmo.

As cores e texturas do filme enchem os olhos e são um espetáculo a parte. Além disso, essa é a primeira animação, que eu me lembre, que aborda a questão da morte de maneira objetiva. Como percebe Fredricksen logo nos primeiros minutos do filme, por mais doloroso que seja, a morte faz parte da vida.