Os normais 2 é um filme engraçado, mesmo que o desempenho da dupla Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães não esteja tão afinado quanto à época do seriado televisivo. Os diálogos articulados e rápidos, abordando aspectos sexuais na maioria do tempo, e o humor físico que varia da sutileza a escatologia total, duas características que marcaram o programa, estão lá em sua totalidade.Na tentativa de apimentar um pouco a vida sexual do casal, Vani propõe a Rui um ménage-a-trois. A procura pela parceira ideal e as confusões em que eles se metem na busca de um prazer desconhecido rendem as melhores piadas do filme.
O problema da produção é sua absoluta falta de identidade. Enquanto o seriado original, exibido entre 2001 e 2003, tinha sua estrutura e seus esquetes inspirados na TV Pirata, programa anárquico que reformulou e injetou originalidade no humorismo brasileiro no final dos anos 80, os filmes, tanto o primeiro quanto essa continuação, não tem uma estética definida.
Para piorar, o diretor José Alvarenga Jr. não faz nenhuma questão em escapar da cartilha da “moderna comédia romântica”. Bebendo na mesma fonte de filmes como a trilogia adolescente American Pie, Alvarenga se rende ao final triste e redentor para provar que o amor vence tudo. Se o objetivo era apenas lotar as salas os cinemas, essa é foi uma escolha pra lá de normal.


