segunda-feira, 31 de agosto de 2009

No limbo

The Sprit – O filme tinha qualidades de sobra para ser uma grande produção: roteiro baseado nas histórias de um mestre dos quadrinhos, protagonista charmoso, descolado e debochado, vilão lunático, megalomaníaco e nazista e um elenco feminino de tirar o fôlego. Dessas potencialidades, porém, apenas a última não é totalmente caricatural ou ridícula.

Scarlett Johansson, como a assistente do vilão, Paz Vega, no papel da dançarina assassina Plaster de Paris, Sarah Paulson como a médica Ellen Dolan e Eva Mendes no papel de Sand Saref, antiga paixão de Spirit, simplesmente roubam a cena todas as vezes em que aparecem.

Resta a Gabriel Macht, como Spirit e Samuel L. Jackson, como o louco Octopus, algumas boas tiradas e alguns socos bem coreografados. Ao tentar inovar no visual, o diretor Frank Miller não surpreendeu. Suas imagens ficam numa espécie de limbo entre Sin City e 300, curiosamente dois filmes baseados em histórias em quadrinhos do próprio Miller.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Brincadeira de criança

G.I. Joe – A origem de Cobra é aquele tipo de filme que insiste em colocar o futuro do cinema em cheque. Ao mesmo tempo em que é tecnicamente brilhante, é também de uma superficialidade grotesca.

Todas as seqüências de ação, em especial a queda da Torre Eiffel, são visualmente arrebatadoras, porém, os personagens embaixo dos uniformes em nenhum momento conseguem se humanizar ou exprimir qualquer tipo de sentimento. Parodiando o Capitão Nascimento e sua tropa de elite, para os Joes missão dada é missão cumprida. E nada mais.

Os flashbacks que mostram a rivalidade entre os irmãos ninjas ou o fim do romance que tinha tudo para ser um conto de fadas, só reforçam a fragilidade com que as personagens foram construídas. A produção do filme certamente levou mais tempo criando a aerodinâmica dos aviões do que dando razões e motivações aos seus heróis.

Em alguns momentos, como a seqüência em que no meio do deserto um buraco se abre e revela uma base secreta, minha infância voltou com força total – quando eu era criança meus Comandos em Ação também enfrentavam aventuras fantásticas.

G.I. Joe é intenso, magnético e emocionante como as brincadeiras infantis e, assim como elas, desaparece por completo quando se acende a luz.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Sexo é escolha, amor é sorte

A primeira noite de um homem é, em essência, um filme sobre sexo e amor e, consequentemente, sobre os benefícios e misérias que trazem às vidas das pessoas.

Recém-formado na faculdade e sem a menor perspectiva do que vai fazer no futuro, o jovem Benjamin Braddock (Dustin Hoffman) passa os dias pegando sol na piscina da casa de seus pais. A espera que alguma coisa aconteça em sua vida acaba quando Ben se rende aos encantos da sedutora Sra. Robinson (Anne Bancroft), uma amiga de longa data de seus pais.

A relação entre Ben e a Sra. Robinson, baseada no desejo carnal, acaba se tornando o moto contínuo da vida do inusitado casal. Esperar o dia anoitecer para se entregar a luxúria se torna o objetivo de vida dos dois que vêem no sexo uma válvula de escape de uma vida repleta de banidalidades.

Esse cotidiano lascivo vai ter fim somente quando Benjamin descobre algo superior ao sexo: o amor. Essa descoberta, porém, se dá com a mais improvável das garotas, a filha da fogosa Sra. Robinson.

Num clima de comédia pastelão Mike Nichols cria uma fábula atemporal que assim como uma conhecida música da Rita Lee, prova que sexo pode ser questão de escolha, mas amor com certeza é questão de sorte.