quinta-feira, 15 de março de 2012

Mães são de Marte, filhos são da Terra

Desde a aurora humana aqueles que têm o dom das artes e das ciências buscam entender e explicar o que é o amor. E entre todas as suas manifestações, uma das mais belas e comoventes, e em muitos casos unilateral, é o amor da mãe pelo filho. O sentimento entre mãe e filho se aproxima do conceito grego de ágape, que é o amor incondicional, divino, que só se completa quando vontade, pensamento e sacrifício se encontram.

É, em essência, sobre esse sentimento que se trata a animação dos estúdios Disney Marte precisa de mães. Baseado no livro de Berkeley Breathed, o filme conta a história do garoto Milo que, ao ver sua mãe sendo raptada por alienígenas, acaba entrando na nave e viajando até Marte. Chegando ao planeta vermelho ele faz amizade com uma marciana e com um astronauta que parece ter perdido o juízo e vai empreender a jornada mais incrível da sua vida.

O título do filme define o motivo pelo qual a mãe de Milo é raptada. Na sociedade marciana homens e mulheres vivem separados. Enquanto as mulheres vivem em ambiente de alta tecnologia comandando o planeta, os homens vivem no submundo, em meio ao caos e ao lixo. Como as mulheres marcianas não podem, ou não conseguem cuidar de seus filhos, elas raptam mães humanas e sugam suas habilidades transferindo-as à babás robóticas. Parece meio confuso, mas a história flui com naturalidade.

A animação, que foi realizada pelo processo de captura de movimento e contou com a colaboração de Robert Zemeckis, responsável por filmes como Forrest Gump e a trilogia De volta para o futuro, foi um absoluto fracasso de público e recebeu muitas críticas negativas. Algo injusto em minha opinião. O filme tem boas cenas de ação, personagens atraentes e reflete, ainda que superficialmente, sobre o feminismo e o papel da família tradicional no desenvolvimento da sociedade enquanto instituição.

Não menos atraente é o fato de uma animação infantil abordar um dos conceitos mais difíceis da física: o buraco de minhoca. Pode ser que ao final do filme o expectador continue sem entender nada sobre o buraco de minhoca, mais sobre o amor com certeza aprenderá alguma coisa.