quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Cinema autêntico


Se não me engano foi Carlos Manga que numa entrevista, ao falar de Frederico Fellini, afirmou: “Fellini é um cineasta, eu sou apenas um diretor de filmes.” Modéstia à parte, ou não, Manga deixava claro que existiam, pelo menos, dois tipos distintos de realizadores de cinema, aqueles cujo trabalho duro resulta num filme e aquela meia dúzia de privilegiados que fazem arte.

Guilhermo del Toro, inquestionavelmente, pertence ao seleto clã dos artistas. A transposição de Hellboy para o cinema consolidou o trabalho de um cineasta maduro, inteligente, ousado e com o domínio total das ferramentas de trabalho.

O Labirinto do Fauno, filme dirigido por Del Toro logo após a produção da primeira aventura do garoto do inferno, é puro cinema. E é cinema porque é visual demais. Cada fotograma, cada imagem, cada detalhe em cena tinha a intenção de transmitir uma mensagem: a de que, por mais incrível que pareça, é possível contar uma boa história na tela grande.

Se você é daqueles que acha que ao morrer Kubrick levou consigo o que restava de dignidade na sétima arte, um conselho: assista O Labirinto do Fauno e vivencie a experiência de desfrutar de uma autêntica obra de arte.