quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Brutalidade necessária

Pela estrada lamacenta e sem vida o andarilho segue solitário rumo ao nada. Caminhando a custo, é grande o peso que ele leva amarrado a uma corda. Deixando sua marca pela estrada, como se fosse uma espécie de assinatura, o volume é parte indissociável do homem que o carrega, impossível imaginar um sem o outro. O nome do homem é Django e o volume por ele puxado, um velho e pesado caixão de madeira.

Assim tem início um dos mais célebres filmes sobre o velho oeste americano e uma das produções referenciais do que se convencionou chamar de western spaghetti. Dirigido por Sergio Corbucci em 1966, Django conta a história do personagem-título e do que ele carrega dentro do misterioso caixão.

Todos os arquétipos do gênero estão presentes no filme: a mocinha, que não é santa mas é boa gente, o fazendeiro arrogante e sem coração, o amigo bandido mexicano, um monte de capanga dispostos a morrer e um herói rápido do gatilho. Franco Nero, com sua fisionomia dura, empresta a Django a brutalidade necessária que um pistoleiro precisa para viver num mundo onde leis não passam de um pedaço de papel sem utilidade.

A sequência em que Django, sozinho e atrás de um tronco de árvore, mata quase uma centena de capangas do fazendeiro rico é antológica e também é o momento no qual se revela o que está escondido dentro do caixão.

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