terça-feira, 10 de março de 2009

O entardecer de um campeão

A multidão o amava. Sua legião de admiradores era infinita. Suas vitórias comemoradas como conquistas. Sua imagem se tornou ícone e foi parar nas telas de vídeo-game. Seu nome estampava as capas dos jornais. Randy “O Carneiro” Robinson era o máximo – isso há vinte anos atrás.

Hoje Randy não é nem mais sombra do astro das lutas livres que encantava a todos no passado. Cansado, velho e desiludido, Randy ganha a vida trabalhando num supermercado medíocre e fazendo apresentações de luta mais medíocres ainda em troca de um punhado de dólares.

O Lutador, protagonizado por um quase irreconhecível Mickey Rourke, começa assim, mostrando o apogeu e a decadência de um grande ídolo do passado. O filme se propõe a acompanhar o entardecer deste campeão e sua busca por um pouco de absolvição. O destino foi cruel com o Carneiro, mas ele foi o responsável por tudo de ruim que lhe aconteceu. A filha o odeia e a mulher de quem ele gosta, uma prostituta de quinta categoria, lhe nega qualquer tipo de aproximação. O astro decadente tenta acertar suas contas com a vida, mas é evidente que saldo ficará negativo.

Com uma temática quase panfletária a produção tinha tudo para descambar para o dramalhão sentimental, mas a direção sem exageros de Darren Aronofsky não permite que isso aconteça.

O grande lutador do passado se sente morto por dentro sendo obrigado a trabalhar como um simples atendente de mercado. O problema de saúde que pode levá-lo a morte se ele por o pé novamente num ringue é visto pelo Carneiro não como o desfecho de uma história triste, mas como a redenção na saga de um campeão.

Marisa Tomei, no papel da prostituta Cassidy, mostra que ainda está com tudo em cima e Rourke dá dignidade, irreverência e inconseqüência a Randy, um homem que mesmo desafiando os mais violentos e destemidos lutadores, nunca soube como enfrentar o seu maior adversário: a própria vida.

Um comentário:

Caroline Scharlau disse...

A parte mais legal foi a do Guns