quarta-feira, 22 de julho de 2009

Aceitação

Muito se alardeou que John Rambo, o quarto filme da série protagonizado por Sylvester Stallone, era a redenção do personagem e do diretor-ator. Papo furado.

Na quarta aventura do ex-combatente do Vietnam, Rambo está vivendo na Tailândia e divide seu tempo entre caçar cobras e transportar pessoas numa embarcação caindo aos pedaços. Na Birmânia, país vizinho a Tailândia, uma das mais violentas guerras civis da história mundial já se perpetua há quase 60 anos. Quando Rambo aceita transportar um grupo de missionários que desejam levar alimentos e remédios para os refugiados é que a ação tem início.

Como o grupo não retorna na data prevista, o líder da congregação pede a Rambo que leve um grupo de mercenários ao local onde deixou os missionários na tentativa de resgatá-lo.

Rambo, antes de assumir a contragosto o comando do pelotão de resgate, trava a mais sombria das batalhas que já enfrentou, contra ele mesmo. O anti-herói compreende que ele nada mais é do que uma máquina de guerra com vontade de matar. Em algum momento do filme Rambo diz que ele não matou por seu país ou por Deus, ele matou por ele mesmo. Quando se descobre a sua vocação, fica muito mais fácil fazer o que é preciso ser feito.

Stallone demorou quase 20 anos para produzir este que deve ser o último capítulo da série e acertou ao manter-se fiel ao personagem. As cenas de ação são colagens de cabeças destruídas, membros arrancados e corpos dilacerados – e esses são os grandes momentos do filme. Assim como Rambo entende sua missão, Stallone também compreende que seu papel na indústria cinematográfico é produzir filmes em que a ação explícita substitua a necessidade de algum elemento dramático.

O filme não é a redenção de Rambo e Stallone e sim a aceitação de quem eles de fato são. E isso já é uma grande coisa.