terça-feira, 7 de julho de 2009

Vaginas fascistas

Marion é uma fotógrafa francesa que tem um grave problema de visão. Jack é um norte-americano hipocondríaco e decorador de interiores. Passeando dois dias em Paris esse inusitado casal vai descobrir as misérias e grandezas de um estranho sentimento chamado amor.

Se Jack fosse um cineasta, seria Woddy Allen em seus momentos mais neuróticos. Marion, por sua vez, seria ainda mais extravagante que Baz Luhrmann. Se o norte-americano fosse um jogo, seria algo como xadrez. A francesa, frenética e impulsiva, seria hóquei sobre o gelo. Se o decorador fosse uma cidade, seria Nova Iorque. A fotografa, Paris.

Essa mistura de estilos, gostos, atitudes, personalidades e influências culturais que se retro-alimentam diretamente, faz de 2 Dias em Paris uma comédia que, além do humor óbvio do gênero, ainda apresenta uma reflexão sobre um mundo em que a redução das distâncias geográficas implica diretamente no distanciamento humano entre as pessoas.

Escrito e dirigido por Julie Delpy, o filme retrata esses dois dias que o casal, em uma turnê pela Europa, passa em Paris antes de seguir viagem para os Estados Unidos. Delpy interpreta a fotógrafa Marion e Adam Goldberg personifica com competência o inseguro e desajeitado Jack. A relação de Jack com os sogros e a cunhada e as conversas dele com os amigos franceses de Marion rendem alguns dos momentos mais engraçados da produção.

Numa dessas conversas, um dos amigos da fotógrafa fala para Jack que detesta tanto um determinado estilo de depilação feminina que quando a vê associa imediatamente ao bigode característico de Adolf Hitler. Quando Marion chega e pergunta sobre o que os dois estão conversando, Jack responde com uma objetividade desconcertante: sobre vaginas fascistas.

Apesar de algumas cenas desnecessárias como a aparição da fada, 2 Dias em Paris diverte bastante em seus pouco mais de 90 minutos de duração. E, afinal de contas, o que se pode querer mais?

Um comentário:

Evandro Duarte disse...

Ainda acho que faltou a mão do Linklater para limpar as bobagens do roteiro.