A jornada do herói é um dos temas preferidos dos criadores
de arte. Quer seja em palavras ou através de imagem, a saga dos escolhidos,
daqueles que se sacrificam por um bem maior já foi retratada em verso, prosa,
imagem e som em um sem número de maneiras diferentes.
O caminho do guerreiro, produção de 2010, opta por percorrer
a jornada inversa: ela conta a transformação do herói em um homem comum. No
início do filme somos apresentados àquele que é o maior espadachim do mundo. Ao
se negar a por fim numa briga secular entre clãs rivais, ele ganha a antipatia
do seu próprio povo e precisa ir para uma terra distante em busca de paz.
E é justamente longe de tudo aquilo que lhe é familiar que o
guerreiro vai construir os primeiros laços sinceros de amizade e ao realizar
ações simples como cultivar um jardim, estender roupas no varal ou participar
de um baile, vai perceber que na vida existe muito mais do que uma lâmina
afiada e golpes fatais de espada. Mas, mesmo que a paz pareça eterna, para um
verdadeiro guerreiro a batalha nunca termina e, além de ajustar as contas com o
seu próprio bando que cruza os mares no seu encalço, ele também terá que
defender seus novos amigos e seu novo lar.
As batalhas, ao longo do filme, são bonitas e bem
coreografas e o uso quase abusivo da câmera lenta as tornam ainda mais
dramáticas. Os duelos de espada também empolgam e põe lado a lado clichês como
a lâmina que corta o pingo de chuva com cenas inspiradas como a “dança” com as
espadas na noite de lua cheia.
O filme todo ainda é permeado por tonalidades que enchem os
olhos e a tela. A progressiva mudança de cores que vai do verde sombrio do
bambuzal, passando pelo áspero amarelado do deserto até finalizar no solitário branco
da neve permite ao espectador entender as mudanças do personagem e ratifica a
certeza de que, por mais que ele mude, quer seja internamente através dos
sentimentos, ou externamente através do habitat, ele nunca vai deixar de ser o
que de fato é: um guerreiro.

2 comentários:
E os filmes que eu escolho para comentar é que são estranhos...
Esse é um dos filmes que estavam no seu PC e ficaram no meu notebook. Achei que era "top" por isso assitir. De qualquer maneira, não me arrependi.
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