terça-feira, 7 de agosto de 2012
Demasiado humanos
Uma das grandes sacadas dos três primeiros filmes da franquia A Era do Gelo foi retratar os seus protagonistas da forma como eles realmente eram, como animais. Embora o comportamento do mamute Manny, do tigre Diego e da preguiça Sid fossem inspirados nos sentimentos humanos, que valorizam amizade e lealdade em detrimento do invididualismo, eles eram seres selvagens que viviam em busca do mais primitivo dos instintos: o da sobrevivência.
Infelizmente isso não acontece nesta quarta parte da saga glacial. Após um acidente geográfico promovido pelo esquilo Scrat, divertido como sempre, os três amigos pré-históricos se vêem à deriva numa placa de gelo e vão ter que lutar como nunca para voltar para casa e reencontrar aqueles que amam.
É justamente nessa batalha de volta ao lar que o filme perde em intensidade e conteúdo. Ao enfrentar piratas que parecem seguidores de Jack Sparrow e precisando entender e aceitar ainda mais as falhas e defeitos uns dos outros, o que inclui a avô de Sid que consegue ser ainda mais insana e engraçada que o neto, os três amigos se tornam demasiado humanos.
O história do filme, essencialmente, gira em torno do amor pela família e não existe sentimento mais humano que este. Mas ao reproduzir fielmente o modus operandi humano, os heróis gelados perdem sua identidade selvagem e, ao se descaracterizar, deixam de ser forças da natureza o que, em essência, era o que os definia. A Era do Gelo 4 é o filme mais fraco da franquia, embora a empatia entre os personagens e a simpatia que o público sente por suas aventuras cresça a cada nova produção.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
O Saldanha deixou o Gelo e migrou para o ensolarado Rio. Taí o resultado.
Postar um comentário