quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A bela e o Gato


Num dos mais inspirados e divertidos diálogos de Ladrão de Casaca, rodado em 1955 por Alfred Hitchcock, o personagem John Robie, um famoso ex-ladrão de jóias fala para a mimada e milionária Frances Stevens que tudo o que ela precisa ele não tem tempo nem disposição para dar. Quando ela pergunta o que é Robie fuzila: “Duas semanas com um homem de verdade nas Cataratas do Niágara”.

Este humor ácido marca algumas das melhores produções do cineasta inglês, mas neste filme em particular, ganha o status de elemento cênico e é fundamental no desenvolvimento da trama. Não sem razão, o suspense por vezes é ofuscado pelos diálogos muito bem escrito e pela fina ironia dos personagens.


Na trama, John Robie, interpretado por Cary Grant, é um ladrão de jóias aposentado do ofício criminoso. Dono de uma técnica particular, Robie ficou conhecido como “O Gato”. Quinze anos depois de ter parado, uma série de assaltos relembra o estilo do Gato e Robie se torna o principal suspeito. Para se livrar da culpa Robie resolve criar um plano para pegar o ladrão.


Contando com a ajuda do H. H. Hughson, representante de uma seguradora de jóias cansada de indenizar seus clientes, Robie consegue uma lista de pessoas ricas que possuem jóias com a possibilidade de serem roubadas. Tentando prever os passos do novo gatuno, Robie monta uma armadilha que lhe garantirá a liberdade.


É através do contato com os milionários e suas cobiçadas jóias que Robie conhece Frances. A garota mimada, recém chegada da América, se mostra mais inteligente e audaciosa do que Robie supõe e já no primeiro encontro lhe tasca um beijo na boca. A partir daí o filme ganha um clima romântico e quase faz esquecer que estamos diante de uma obra hitchcokiniana. A química entre Grant e Kelly é tanta que transforma a seqüência em que ambos comem frango com as mãos num momento de romance explícito. Mérito do cineasta inglês que mais uma vez comprova ser um dos melhores diretores de atores do cinema mundial.


Hitchcock recheia o filme com muitas de suas preferências como a Riviera Francesa, a música pontuando as cenas, as perseguições de carros em alta velocidade, o clímax surpreendente e o prazer de trabalhar com dois dos melhores atores da época. O casal de protagonista, por sua vez, está perfeito. Cary Grant esbanja charme, elegância e simpatia no papel do Gato e Grace Kelly, arrebatadoramente bela, fornece todos os elementos necessários para tornar sua personagem arrogante, mimada e mesmo assim absolutamente desejável.


Apesar do desfecho um pouco óbvio demais Ladrão de Casaca é um excelente filme. Afinal de contas, não se podia esperar algo muito diferente do encontro entre Hitchkcok, Cary Grant e Grace Kelly.

Um comentário:

Evandro Duarte disse...

É, com certeza, o filme mais charmoso do Hitch.