
Interiores, filme de Woody Allen lançado em 1978, retrata o fim de um casamento de muitos anos e as consequências naturalmente trágicas do término repentino de uma relação duradoura. O roteiro focaliza as atenções nas filhas do casal recém divorciado e de que forma cada uma delas lida com a situação. Diane Keaton, musa dos filmes de Allen, interpreta Renata, a irmã mais velha. Dividindo-se entre o sucesso como poetiza, o fracasso profissional do marido e a relação distante com a mãe, Renata sente-se deslocada em seu próprio mundo. Keaton se vale do drama e da confusão da personagem para deixar transparecer seu talento natural.
As outras irmãs, Flyn e Joey, interpretadas respectivamente por Kristin Griffith e Mary Beth Hurt, são tão ou mais confusas que Renata. Flyn, atriz de TV, sabe que não é levada a sério e Joey, a caçula, embora talentosa, não sabe o que fazer da vida. O trio central opta por fazer o silêncio sempre falar que as palavras – o que permeia o filme com um tom intimista. A ausência de trilha sonora e os cenários grandes e espaçosos refletem o desconforto e o desamparo dos personagens.
Os ambientes, porém, não são os únicos espaços vazios do filme. Os sentimentos também são. Apesar da boa vida, do dinheiro e da inteligência acima da média, o principal elo entre os personagens é a incapacidade de ser feliz. Incapacidade essa proveniente da forma como lidam com os sentimentos. Deixando-os escondidos sob uma capa artificial de intelectualidade ou empurrando-os para debaixo dos livros de filosofia que lotam as estantes, os personagens negligenciam seus sentimentos a todo instante. Allen usa uma metáfora visual clara para reforçar essa sensação: enquanto a mãe se preocupa com a decoração impecável dos cômodos, dos interiores de sua casa e da casa de suas filhas, o mundo a sua volta desaba. Sem saber como lidar com a vida real, se apega a ilusão de que a beleza estética de um vaso sofisticado pode ser um paliativo eficiente à falta de sentido da sua vida. Ilusão essa que o próprio filme faz questão de desfazer da maneira mais irremediável possível.
Utilizando todo o seu tradicional arsenal de neuroses com a religião, a felicidade, a fé, a finitude da vida e a certeza da morte, Woddy Allen compôs um filme que emociona por sua simplicidade e delicadeza. Algo incomum na produção cinematográfica recente.
As outras irmãs, Flyn e Joey, interpretadas respectivamente por Kristin Griffith e Mary Beth Hurt, são tão ou mais confusas que Renata. Flyn, atriz de TV, sabe que não é levada a sério e Joey, a caçula, embora talentosa, não sabe o que fazer da vida. O trio central opta por fazer o silêncio sempre falar que as palavras – o que permeia o filme com um tom intimista. A ausência de trilha sonora e os cenários grandes e espaçosos refletem o desconforto e o desamparo dos personagens.
Os ambientes, porém, não são os únicos espaços vazios do filme. Os sentimentos também são. Apesar da boa vida, do dinheiro e da inteligência acima da média, o principal elo entre os personagens é a incapacidade de ser feliz. Incapacidade essa proveniente da forma como lidam com os sentimentos. Deixando-os escondidos sob uma capa artificial de intelectualidade ou empurrando-os para debaixo dos livros de filosofia que lotam as estantes, os personagens negligenciam seus sentimentos a todo instante. Allen usa uma metáfora visual clara para reforçar essa sensação: enquanto a mãe se preocupa com a decoração impecável dos cômodos, dos interiores de sua casa e da casa de suas filhas, o mundo a sua volta desaba. Sem saber como lidar com a vida real, se apega a ilusão de que a beleza estética de um vaso sofisticado pode ser um paliativo eficiente à falta de sentido da sua vida. Ilusão essa que o próprio filme faz questão de desfazer da maneira mais irremediável possível.
Utilizando todo o seu tradicional arsenal de neuroses com a religião, a felicidade, a fé, a finitude da vida e a certeza da morte, Woddy Allen compôs um filme que emociona por sua simplicidade e delicadeza. Algo incomum na produção cinematográfica recente.
Um comentário:
Esse eu vi
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