quarta-feira, 24 de junho de 2009

A la Hitchcock

A comparação entre Dario Argento e Alfred Hitchcock é inevitável, assim como é inevitável a constatação de que os dois são designers da imagem.

Cada plano, cada seqüência, cada cena dos filmes dos dois cineastas é pensada com antecedência, nada ocorre por acaso. A disposição dos objetos em cena, o jogo de luzes, as cores, sombras e tudo o mais é calculado para causar o efeito desejado: assustar o expectador.

Em Prelúdio para matar, título brasileiro infeliz de Profondo Rosso, Argento conta a história de um pianista que presencia um assassinato e, ao lado de uma tresloucada jornalista, vai investigar o crime por conta própria.

A decupagem das cenas é brilhante na falta de um adjetivo melhor. A câmera realmente desliza como disse o Evandro em seu blog. Argento usa com precisão um recurso que às vezes é negligenciado pelos diretores de cinema: o cenário. Cada locação, cada quarto, cada ambiente representa alguma coisa. A mansão abandonada, a casa de campo, o apartamento moderno e as ruas vazias e escuras representam um pouco a personalidade das suas personagens.

Com as óperas italianas Profondo Rosso tem duas semelhanças: possui altos e baixos e, após o fim, é difícil tirá-lo da cabeça.

Um comentário:

Evandro Duarte disse...

A noção de espaço de ambos (Hitchcock e Argento) é qualquer coisa de inimitável, mesmo sendo anterior ao outro.
Eis o que é cinema de facto.